"- Ó Pensador Profundo, a tarefa que lhe cabe assumir é a seguinte: queremos que nos diga... - fez uma pausa e concluiu: - ... a Resposta!
- A Resposta? - repetiu o Pensador Profundo. - Resposta a que pergunta?
- A Vida! - exclamou Fook.
- O Universo! - disse Lunkwill.
- E tudo o mais! - exclamaram em uníssono." (p. 163)
" - Essas máquinas têm mais é que fazer contas - disse Majikthise -, enquanto nós cuidamos das verdades eternas. Quer saber a situação perante a lei? Pela lei, a Busca da Verdade Última é uma prerrogativa inalienável dos pensadores. Se uma porcaria de uma máquina resolve procurar e acha a porcaria da Verdade, como é que fica o nosso emprego? O que adianta a gente passar a noite em claro discutindo se Deus existe ou não para no dia seguinte essa máquina dizer qual é o número do telefone dele?" (p. 165)
"- Eu só queria dizer que meus circuitos agora estão irrevogavelmente dedicados à tarefa de calcular a resposta à Questão Fundamental da Vida, o Universo e Tudo Mais. - Fez uma pausa, para certificar-se de que agora todos estavam prestando atenção nele, e acrescentou, em voz baixa: - Só que o programa vai levar um certo tempo para ser processado.
Fook olhou para o relógio, impaciente.
- Quanto tempo?
- Sete milhões e quinhentos mil anos - respondeu o computador." (p. 166).
"- Há 75 gerações, nossos ancestrais deram início a este programa - disse o segundo homem -, e após todo esse tempo nós seremos os primeiros a ouvir o computador falar." (p. 170)
"- Então há mesmo uma resposta? - exclamou Pouchg.
- Há mesmo uma resposta - confirmou o Pensador Profundo.
- A resposta final? À Grande Questão da Vida, o Universo e Tudo Mais?
- Sim." (p. 171)
"- Está bem - disse o computador. - A Resposta à Grande Questão...
- Sim...!
- Da Vida, do Universo e Tudo Mais ... - disse o Pensador Profundo.
- Sim!
- É... - disse o Pensador Profundo e fez uma pausa.
- Sim...!
- É...
- Sim...!!!...?
- Quarenta e dois - disee o Pensador Profundo, com uma majestade e tranquilidade infinitas." (p. 172)
ADAMS, D. O Guia do Mochileiro das Galáxias. Rio de Janeiro: Sextante, 2009.
meninamalouca
Noticiário da Pequena Lou.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Mia e o amor
"Aprendemos a amar no amor que dedicamos aos filhos. Amar quem a vida nos deu, sabendo que a mesma vida nos vai tirar."
COUTO, M. "Olhos nus: olhos" In: BRESSANE, R. Essa história está diferente: dez contos para canções de Chico Buarque. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 194 - 215.
COUTO, M. "Olhos nus: olhos" In: BRESSANE, R. Essa história está diferente: dez contos para canções de Chico Buarque. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, p. 194 - 215.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
Diminuindo distâncias
| Dividindo o mesmo sofá |
| Senhor Mustafá em cima, Akari escondida |
| Momento extraordinário em que compartilharam a mesma cadeira |
sábado, 19 de maio de 2012
Aula de fitogeografia no campo
| Balsa para Humaitá |
Chegado o dia, nos encontramos cedo na frente da Reitoria. A neblina (indício de dia quente pacas) se dissipava na cidade, mas ainda cobria o horizonte do rio. Tivemos muita sorte com a balsa na ida e na volta.
| A ponte de perto |
| Narcísio |
| Aula na savana |
| Borboleta no chapéu do Narcísio |
| Muitas folhas são bicolores |
| Não lembro dos nomes das plantas |
| A grande sensação foi essa carnívora (minúscula) |
| Carregando o saco de coleta |
| Charco |
| Quaresmeira |
| Floresta de terra firme |
| O caminho que nossos passos fizeram |
| Outra zona de savana |
| Curatella Americana, finalmente |
| Ignorus completamentis |
quinta-feira, 17 de maio de 2012
Greve nacional
Foi deflagrada a greve por tempo indeterminado hoje de manhã no Paulo Freire. Trata-se de uma greve por salário, plano de carreira e melhores condições de trabalho.
Achei muito engraçado ver todas as figuras que se empenharam em acabar com a nossa gloriosa greve contra a corrupção na UNIR defendendo a adesão à greve nacional. Quando se trata de aumentar o salário, todos eles viraram revolucionários.
Quem esteve lá, viu que eu não votei a favor da greve. Porque considero que estamos no semestre pós-greve, com apenas duas semanas de recesso durante o ano de 2012 inteiro. (Meus 45 dias de férias, a rigor, não cabem nesse ano.) Me abstive de votar para deixar claro que não estou disposta a integrar esse comando de greve, revisar ou melhorar texto de ninguém, passar por medos e paranoias.
Achei muito engraçado ver todas as figuras que se empenharam em acabar com a nossa gloriosa greve contra a corrupção na UNIR defendendo a adesão à greve nacional. Quando se trata de aumentar o salário, todos eles viraram revolucionários.
Quem esteve lá, viu que eu não votei a favor da greve. Porque considero que estamos no semestre pós-greve, com apenas duas semanas de recesso durante o ano de 2012 inteiro. (Meus 45 dias de férias, a rigor, não cabem nesse ano.) Me abstive de votar para deixar claro que não estou disposta a integrar esse comando de greve, revisar ou melhorar texto de ninguém, passar por medos e paranoias.
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Mais um blecaute de 5 horas
Jantar à luz de velas é legal,
mas cozinhar à luz de velas não é legal.
Não é legal ouvir o barulho de vidro se espatifando no chão
e o gato correndo pra se esconder
e é ainda pior ter que juntar os cacos de vidro
e limpar o chá derramado à luz de velas.
Ter que ouvir as músicas que saem do som potente do carro do vizinho é péssimo,
mas ver os vagalumes dançando ao som da música na rua e no meu jardim
faz valer a pena mais um blecaute de 5 horas.
mas cozinhar à luz de velas não é legal.
Não é legal ouvir o barulho de vidro se espatifando no chão
e o gato correndo pra se esconder
e é ainda pior ter que juntar os cacos de vidro
e limpar o chá derramado à luz de velas.
Ter que ouvir as músicas que saem do som potente do carro do vizinho é péssimo,
mas ver os vagalumes dançando ao som da música na rua e no meu jardim
faz valer a pena mais um blecaute de 5 horas.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Baile de discursos
| Auditório da OAB em Porto Velho |
| Solenidade em que a vice-reitora em exercício passou o exercício para a reitora eleita |
| A vice |
| A reitora |
domingo, 13 de maio de 2012
Passeio de barco no Madeira
| O porto onde embarcamos está bastante destruído por causa do banzeiro (marola causada pela água do rio) |
| O Cai N'Água parece que deixou de ser um barranco e virou porto |
| Por causa das comportas da usina, o bairro Triângulo estava desbarrancando |
| Fizeram essa contenção e condenaram todas as casas ali |
| A Usina |
| Meus companheiros de passeio |
| Voltando |
| A ponte que estão construindo pra Humaitá |
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Tempo de seca
A terra já rachou,
uma camada marrom de poeira se estende sobre tudo
dentro e fora de casa.
As plantas começam a amarelar,
a água da mangueira não vence a sede da terra seca.
Akari se esfrega na terra e fica toda marrom.
O calor faz o tempo se arrastar.
Meu pé direito avisa que lá vem chuva,
mas ela não desce do céu.
Os mosquitos ensaiam sua orquestra.
uma camada marrom de poeira se estende sobre tudo
dentro e fora de casa.
As plantas começam a amarelar,
a água da mangueira não vence a sede da terra seca.
Akari se esfrega na terra e fica toda marrom.
O calor faz o tempo se arrastar.
Meu pé direito avisa que lá vem chuva,
mas ela não desce do céu.
Os mosquitos ensaiam sua orquestra.
domingo, 6 de maio de 2012
Sobre planos
Cama de gato (2002) é um filme que causou bastante polêmica quando foi lançado, e acredito que continua causando desconforto ao espectador. A partir da metade do filme pra frente, o que mais incomoda é a completa falta de plano dos personagens, que se envolvem numa espiral de violência. Três amigos jovens de classe média, que acabaram de passar no vestibular, estupram uma menina na casa de um deles. Quando acham que mataram a guria, a mãe de um deles aparece, cai da escada e pronto: os três precisam se livrar de dois cadáveres.
Todas as ideias são alopradas, mas como não encontram solução nem tomam distância do problema que criaram, essas ideias fracas são postas em ação. Não há plano, as desgraças se amontoam conforme os garotos vão se enredando na trama louca que criaram. O filme, enquanto objeto cultural, é cuidadosamente planejado, ao contrário de seu conteúdo. As cenas iniciais do filme são preenchidas com depoimentos de jovens classe média bêbados, arrogantes e donos da verdade sobre Deus e o mundo. Depois que a ficção acaba, voltam os depoimentos aloprados dos jovens que se sentem gente grande e pagam a conta da cerveja com a mesada. E os depoimentos são paralelos aos fatos narrados na ficção. E cenas da fiçção são intercaladas com depoimentos dos jovens na noite. E o público é invadido pela incômoda sensação de que a realidade é muito mais cruel e sem rédeas que a fiçção sem plano que acaba de ver.
*
2 Coelhos (2012) é um filme brasileiro de ação bem pop. O personagem principal, um jovem adulto de classe média, tem um plano: matar dois coelhos com uma cajadada só. A princípio, o plano é se dar bem usando bandidos para explodir um político e sair com uma grana. Contudo, por ser uma narrativa pós-moderna, é fragmentada e o público vai descobrindo dados sobre o passado do personagem principal (Edgar).
No passado, Edgar atropelou e matou a esposa e o filho de seu professor de filosofia (Walter). Não foi culpabilizado pelo "acidente de trânsito" e passou uma temporada de dois anos em Miami. Ao voltar, dá de cara com Walter, que está trabalhando no restaurante do pai de Edgar. No fim do filme, Edgar revela seu plano: a câmera mostra a namorada de Edgar e sua filha caminhando felizes ao lado de Walter. Pode ser que o plano geral tenha sido algo abstrato como substituir a esposa e filho arrancados do Walter. Dificilmente o plano seria sacrificar a própria namorada e filha para restituir a felicidade ao ex-professor. Tanto no plano da narrativa como da forma de narrar, o plano de Edgar é complexo, fragmentado e em ritmo acelerado. A impressão que fica é a de um plano que é tecido enquanto a estória se desenrola.
*
Nueve Reinas (2000) é um filme argentino muito esperto. Marcos e Juan são dois trapaceiros, que passam um dia juntos, na condição de mestre (Marcos) e aprendiz (Juan). O mestre ensina seus truques, o aprendiz lhe conta sua estória. Em dado momento, Marcos é chamado por um velho parceiro (falsificador de coisas em papel) que lhe oferece uma sequência de selos valiosos (para colecionadores) para vender a um colecionador que está de passagem na cidade. Está claro que os selos não são originais, e que a viúva de não sei quem não entrega os originais. Ato contínuo, as nove rainhas falsas são roubadas. E como o comprador está de partida, Marcos e Juan se atiram na busca pelos selos originais. Compram (com recursos próprios) os selos originais da viúva com muito custo e tentam vendê-los ao colecionador.
Durante todo o filme, o espectador tem a sensação de que rola uma trapaça entre os personagens principais. Como Marcos é o mais experiente, a tendência é achar que Juan é vítima de seu mestre. No fim do filme, o espectador percebe que Marcos foi enganado com a estória das nove rainhas. Na ficção, o plano traçado por Juan é perfeito e foi executado por todos os personagens do filme. O filme, enquanto objeto cultural, igualmente é um plano bem executado, porque ensina ao seu espectador como deve ser interpretado.
Todas as ideias são alopradas, mas como não encontram solução nem tomam distância do problema que criaram, essas ideias fracas são postas em ação. Não há plano, as desgraças se amontoam conforme os garotos vão se enredando na trama louca que criaram. O filme, enquanto objeto cultural, é cuidadosamente planejado, ao contrário de seu conteúdo. As cenas iniciais do filme são preenchidas com depoimentos de jovens classe média bêbados, arrogantes e donos da verdade sobre Deus e o mundo. Depois que a ficção acaba, voltam os depoimentos aloprados dos jovens que se sentem gente grande e pagam a conta da cerveja com a mesada. E os depoimentos são paralelos aos fatos narrados na ficção. E cenas da fiçção são intercaladas com depoimentos dos jovens na noite. E o público é invadido pela incômoda sensação de que a realidade é muito mais cruel e sem rédeas que a fiçção sem plano que acaba de ver.
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2 Coelhos (2012) é um filme brasileiro de ação bem pop. O personagem principal, um jovem adulto de classe média, tem um plano: matar dois coelhos com uma cajadada só. A princípio, o plano é se dar bem usando bandidos para explodir um político e sair com uma grana. Contudo, por ser uma narrativa pós-moderna, é fragmentada e o público vai descobrindo dados sobre o passado do personagem principal (Edgar).
No passado, Edgar atropelou e matou a esposa e o filho de seu professor de filosofia (Walter). Não foi culpabilizado pelo "acidente de trânsito" e passou uma temporada de dois anos em Miami. Ao voltar, dá de cara com Walter, que está trabalhando no restaurante do pai de Edgar. No fim do filme, Edgar revela seu plano: a câmera mostra a namorada de Edgar e sua filha caminhando felizes ao lado de Walter. Pode ser que o plano geral tenha sido algo abstrato como substituir a esposa e filho arrancados do Walter. Dificilmente o plano seria sacrificar a própria namorada e filha para restituir a felicidade ao ex-professor. Tanto no plano da narrativa como da forma de narrar, o plano de Edgar é complexo, fragmentado e em ritmo acelerado. A impressão que fica é a de um plano que é tecido enquanto a estória se desenrola.
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Nueve Reinas (2000) é um filme argentino muito esperto. Marcos e Juan são dois trapaceiros, que passam um dia juntos, na condição de mestre (Marcos) e aprendiz (Juan). O mestre ensina seus truques, o aprendiz lhe conta sua estória. Em dado momento, Marcos é chamado por um velho parceiro (falsificador de coisas em papel) que lhe oferece uma sequência de selos valiosos (para colecionadores) para vender a um colecionador que está de passagem na cidade. Está claro que os selos não são originais, e que a viúva de não sei quem não entrega os originais. Ato contínuo, as nove rainhas falsas são roubadas. E como o comprador está de partida, Marcos e Juan se atiram na busca pelos selos originais. Compram (com recursos próprios) os selos originais da viúva com muito custo e tentam vendê-los ao colecionador.
Durante todo o filme, o espectador tem a sensação de que rola uma trapaça entre os personagens principais. Como Marcos é o mais experiente, a tendência é achar que Juan é vítima de seu mestre. No fim do filme, o espectador percebe que Marcos foi enganado com a estória das nove rainhas. Na ficção, o plano traçado por Juan é perfeito e foi executado por todos os personagens do filme. O filme, enquanto objeto cultural, igualmente é um plano bem executado, porque ensina ao seu espectador como deve ser interpretado.
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Mad Maxi Driver: real e virtual
O cineclube deLírio existe em duas vias: a real, que agora acontece todas as quintas, mais ou menos às 17h numa sala não muito fixa na Unir; e da realidade virtual, que são as resenhas postadas no blog do cine deLírio.
O público real se mostrou sempre sensível a mudanças: quando mudamos de dia, muitas pessoas deixaram de vir. Quando teve a greve, o público demorou a voltar. As últimas sessões têm sido esvaziadas. Os debates, no entanto, sempre foram de alto nível.
O público virtual também passou por uma mudança, mas esta é constante e gradual. Quando começamos a postar nossas resenhas, pensamos em divulgá-las em fanzine ou jornalzinho, para que o público das resenhas crescesse. Chegamos a adotar a prática de ler as resenhas postadas previamente no início do debate pós-sessão.
Criamos uma comunidade de leitores de resenhas. Olhando o gráfico de visualizações de página do blog do cineclube, observo uma curva ascendente com dois vales: férias de 2010 e fim da greve, quando a reitoria tava sem energia e deixamos de exibir o cinegreve na escadaria. A resenha mais acessada (disparado) é a do Robson, sobre um dos filmes mais detestáveis (na minha opinião) que o cineclube já exibiu (Mad Max II). A atuação de Mel Gibson é horrível, a trilha sonora é o ronco dos motores, a agressividade é animalesca. A resenha, no entanto, é uma aula sobre distopia. A última resenha postada é a do Paulo Morais, sobre Taxi Driver. Outra resenha genial sobre um filme muito pouco agradável. Chamo o fenômeno de produzir resenhas ótimas a partir de filmes ruins de Mad Maxi Driver.
O blog conta atualmente com uma média de 100 visitas por dia. Na sessão passada contamos 7 pessoas, nas três anteriores foram no máximo 4 pessoas-público. A segunda resenha mais visitada é uma resenha minha, sobre dois documentários (O rio das Amazonas e Cidadão Jatobá) que foram exibidos para 1 pessoa - fora nós, do cineclube. Sinto-me tentada a comentar a terceira colocada, que é outra resenha do Robson sobre outro cine-velharia horroroso: Morte em Veneza. Robson tinha o dom. Sinto falta das resenhas dele e do seu pessimismo extremo, que chegava a ser cômico. Pois é, mas ele continua eternizado aí, na blogosfera, alimentando leitores com pelo menos duas resenhas geniais. E os leitores não se restringem à Unir ou comunidade. São de: Brasil> Portugal> Estados Unidos> Alemanha (deve ser a minha família)> Reino Unido> França> Rússia> Itália> Ucrânia (!)> Holanda. Pessoas desses lugares participam do cineclube numa outra modalidade: realidade virtual.
O público real se mostrou sempre sensível a mudanças: quando mudamos de dia, muitas pessoas deixaram de vir. Quando teve a greve, o público demorou a voltar. As últimas sessões têm sido esvaziadas. Os debates, no entanto, sempre foram de alto nível.
O público virtual também passou por uma mudança, mas esta é constante e gradual. Quando começamos a postar nossas resenhas, pensamos em divulgá-las em fanzine ou jornalzinho, para que o público das resenhas crescesse. Chegamos a adotar a prática de ler as resenhas postadas previamente no início do debate pós-sessão.
Criamos uma comunidade de leitores de resenhas. Olhando o gráfico de visualizações de página do blog do cineclube, observo uma curva ascendente com dois vales: férias de 2010 e fim da greve, quando a reitoria tava sem energia e deixamos de exibir o cinegreve na escadaria. A resenha mais acessada (disparado) é a do Robson, sobre um dos filmes mais detestáveis (na minha opinião) que o cineclube já exibiu (Mad Max II). A atuação de Mel Gibson é horrível, a trilha sonora é o ronco dos motores, a agressividade é animalesca. A resenha, no entanto, é uma aula sobre distopia. A última resenha postada é a do Paulo Morais, sobre Taxi Driver. Outra resenha genial sobre um filme muito pouco agradável. Chamo o fenômeno de produzir resenhas ótimas a partir de filmes ruins de Mad Maxi Driver.
O blog conta atualmente com uma média de 100 visitas por dia. Na sessão passada contamos 7 pessoas, nas três anteriores foram no máximo 4 pessoas-público. A segunda resenha mais visitada é uma resenha minha, sobre dois documentários (O rio das Amazonas e Cidadão Jatobá) que foram exibidos para 1 pessoa - fora nós, do cineclube. Sinto-me tentada a comentar a terceira colocada, que é outra resenha do Robson sobre outro cine-velharia horroroso: Morte em Veneza. Robson tinha o dom. Sinto falta das resenhas dele e do seu pessimismo extremo, que chegava a ser cômico. Pois é, mas ele continua eternizado aí, na blogosfera, alimentando leitores com pelo menos duas resenhas geniais. E os leitores não se restringem à Unir ou comunidade. São de: Brasil> Portugal> Estados Unidos> Alemanha (deve ser a minha família)> Reino Unido> França> Rússia> Itália> Ucrânia (!)> Holanda. Pessoas desses lugares participam do cineclube numa outra modalidade: realidade virtual.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
domingo, 29 de abril de 2012
Pteridófitas
| Samambaia gigante |
| Exótica que vive embaixo da palmeira |
| Essa jogou filamentos pra fora do vaso |
| Essa mora no andar de baixo |
| Tipicamente amazônica, em busca da luz |
| Os dois andares de samambaias no mesmo vaso |
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Revelado nas cartas
Dizem que as pessoas revelam sua personalidade no jogo de cartas.
* * *
Peter, Fritz, Frida e Ana jogavam Doppelkopf todos os sábados. Os locais de encontro eram rotativos: No primeiro sábado do mês, jogavam na casa de Fritz; no segundo, se alojavam no refeitório da empresa em que Peter trabalhava; no terceiro se reuniam na casa de Ana e no último sábado do mês jogavam na casa da mãe de Frida - que não jogava, mas sempre preparava uns tiragostos. Quando o mês tinha cinco sábados, passavam esse sábado na casa do Peter.
Aquele era o quinto sábado do mês. O caráter de exceção deixava os jogadores apreensivos. No entanto, suas características principais se mantinham: Peter era o sujeito que calculava quais cartas já tinham caído, planejava suas jogadas e interpretava o que os outros tinham na mão a partir do que deitavam na mesa. Fritz era sempre o perdedor. Calculava mal as suas chances, atirava-se a jogadas solo fadadas à ruína, não aproveitava bem os seus trunfos. Frida era tão competitiva no jogo, que se eximia de ter quaisquer outras ambições na vida. Conhecia todas as regras, variações e exceções, discutia com seus parceiros e comemorava cada jogada ganha como se fosse uma vitória. Ana era uma jogadora mediana. Ganhava e perdia, nunca figurava na ponta da lista classificatória. Ana tinha como estratégia ler os sinais da linguagem corporal de cada um. Sabia onde cada um alocava seus trunfos, entendia os olhares de quem olha para cartas boas, compreendia hesitações, tinha desenvolvido um inventário codificado de maneiras de depositar a carta na mesa.
Já jogavam fazia três horas, Peter estava ganhando, Fritz e Frida estavam empatados e Ana anunciou um solo. Bateu na mesa e anunciou que ganharia e que os seus adversários não fariam nem sessenta pontos. Fritz checou as suas cartas e perguntou qual seria o solo que ela queria jogar, porque ele também poderia jogar um solo. De damas. O solo que ele jogaria era de valetes, que é inferior, e por isso deixou passar. Frida, no entanto, se alegrou: segurava as três primeiras damas na mão.
Ana teria perdido o solo de lavada se não fosse a intervenção de Fritz:
- Mas Ana, como você vai jogar um solo de damas se eu tenho duas damas e quatro ases?
- Ué, eu tenho aqui três damas e dois ases acompanhados. Você acha que eu não consigo ganhar?
- A julgar pelas minhas cartas, não ganha, e quem vai fazer menos que sessenta pontos é você.
- Isso é uma ameaça?
- Ana, mostra as suas cartas.
- Como assim? Estou querendo jogar solo, não vou mostrar minhas cartas.
- Ana, o Peter quis jogar um solo de valetes, eu poderia arriscar um solo também, Frida está ansiosa, só esperando o jogo começar. Entenda os sinais. Você vai se dar mal. Mostre suas cartas, anda.
- Mas eu preciso ganhar esse solo, veja a minha situação, sou a perdedora da noite. Tenha bom coração, você precisa entender, já estamos perto de encerrar a noite de hoje e eu estou perdendo vergonhosamente, como é que eu vou pra casa com esse resultado? Eu preciso fazer alguma coisa, e a única coisa que eu posso fazer no momento para reverter a minha situação lastimável é ganhar um solo em que anuncio que vocês vão perder com menos de sessenta pontos. Se eu dissesse que vocês perderiam com menos de trinta ou mesmo com zero, eu estaria fantasiando, mas desse jeito, acho que consigo reverter a minha situação. Você precisa entender a minha situação.
- Se as suas cartas não permitirem que você ganhe, você não vai ganhar.
Todos sentiram vergonha pela ingenuidade de Ana, menos ela, que embaralhou todas as cartas e distribuiu uma nova rodada.
* * *
João jogava paciência. Costumava jogar ouvindo música, para não perder a noção do tempo gasto no jogo. Quando acabava o CD, sabia que aproximadamente uma hora tinha se passado. Às vezes, contudo, não percebia que o CD tinha acabado. Jogava sempre no modo mais difícil, o que implicava em certos rituais: antes de pedir mais cartas, fazia o computador checar se não tinha perdido nenhuma oportunidade, costumava desfazer jogadas para checar o conteúdo de cartas encobertas e tinha estabelecido que faria sempre no máximo três tentativas de ganhar o mesmo jogo. Era comum que ganhasse na terceira tentativa.
Não jogava pelo prazer de ganhar, nem para ocupar seu tempo. Tinha medo de demenciar. Havia um histórico de Alzheimer na família. Além disso, ele já se flagrara falando sozinho. Jogava paciência para exercitar o cérebro. Para exercitar a mente, lia romances e fazia palavras cruzadas. Tinha ouvido dizer que os sintomas da demência eram mais amenos em pessoas letradas que mantinham a cabeça funcionando sempre. Ora, enquanto jogava paciência, João cantava e pensava nos movimentos das cartas.
Nas duas tentativas anteriores, o computador tinha dado mensagem de que era impossível continuar o jogo, porque mais nenhum movimento podia ser feito. Essa terceira tentativa também estava travada e a música já tinha acabado fazia tempo. João não tinha conseguido formar nenhuma sequência completa ainda, para liberar espaço. Já tinha feito e desfeito vários movimentos e estava prestes a pedir cartas pela última vez. Porém, antes de pedir mais cartas, verificou se não havia nenhuma possibilidade ignorada pelos seus olhos cansados. O computador indicou um movimento que descobriria uma carta. Como ele não tinha visto isso? Fez o movimento e uma nova carta se abriu.
Era um coringa. Olhou desconfiado para o computador. Como assim, um coringa num jogo de paciência? Esse computador está trapaceando. E se eu aceitar esse coringa, estarei trapaceando contra mim mesmo. Tudo misturou-se na sua mente, João: os jogos, as pessoas, os narradores.
* * *
Peter, Fritz, Frida e Ana jogavam Doppelkopf todos os sábados. Os locais de encontro eram rotativos: No primeiro sábado do mês, jogavam na casa de Fritz; no segundo, se alojavam no refeitório da empresa em que Peter trabalhava; no terceiro se reuniam na casa de Ana e no último sábado do mês jogavam na casa da mãe de Frida - que não jogava, mas sempre preparava uns tiragostos. Quando o mês tinha cinco sábados, passavam esse sábado na casa do Peter.
Aquele era o quinto sábado do mês. O caráter de exceção deixava os jogadores apreensivos. No entanto, suas características principais se mantinham: Peter era o sujeito que calculava quais cartas já tinham caído, planejava suas jogadas e interpretava o que os outros tinham na mão a partir do que deitavam na mesa. Fritz era sempre o perdedor. Calculava mal as suas chances, atirava-se a jogadas solo fadadas à ruína, não aproveitava bem os seus trunfos. Frida era tão competitiva no jogo, que se eximia de ter quaisquer outras ambições na vida. Conhecia todas as regras, variações e exceções, discutia com seus parceiros e comemorava cada jogada ganha como se fosse uma vitória. Ana era uma jogadora mediana. Ganhava e perdia, nunca figurava na ponta da lista classificatória. Ana tinha como estratégia ler os sinais da linguagem corporal de cada um. Sabia onde cada um alocava seus trunfos, entendia os olhares de quem olha para cartas boas, compreendia hesitações, tinha desenvolvido um inventário codificado de maneiras de depositar a carta na mesa.
Já jogavam fazia três horas, Peter estava ganhando, Fritz e Frida estavam empatados e Ana anunciou um solo. Bateu na mesa e anunciou que ganharia e que os seus adversários não fariam nem sessenta pontos. Fritz checou as suas cartas e perguntou qual seria o solo que ela queria jogar, porque ele também poderia jogar um solo. De damas. O solo que ele jogaria era de valetes, que é inferior, e por isso deixou passar. Frida, no entanto, se alegrou: segurava as três primeiras damas na mão.
Ana teria perdido o solo de lavada se não fosse a intervenção de Fritz:
- Mas Ana, como você vai jogar um solo de damas se eu tenho duas damas e quatro ases?
- Ué, eu tenho aqui três damas e dois ases acompanhados. Você acha que eu não consigo ganhar?
- A julgar pelas minhas cartas, não ganha, e quem vai fazer menos que sessenta pontos é você.
- Isso é uma ameaça?
- Ana, mostra as suas cartas.
- Como assim? Estou querendo jogar solo, não vou mostrar minhas cartas.
- Ana, o Peter quis jogar um solo de valetes, eu poderia arriscar um solo também, Frida está ansiosa, só esperando o jogo começar. Entenda os sinais. Você vai se dar mal. Mostre suas cartas, anda.
- Mas eu preciso ganhar esse solo, veja a minha situação, sou a perdedora da noite. Tenha bom coração, você precisa entender, já estamos perto de encerrar a noite de hoje e eu estou perdendo vergonhosamente, como é que eu vou pra casa com esse resultado? Eu preciso fazer alguma coisa, e a única coisa que eu posso fazer no momento para reverter a minha situação lastimável é ganhar um solo em que anuncio que vocês vão perder com menos de sessenta pontos. Se eu dissesse que vocês perderiam com menos de trinta ou mesmo com zero, eu estaria fantasiando, mas desse jeito, acho que consigo reverter a minha situação. Você precisa entender a minha situação.
- Se as suas cartas não permitirem que você ganhe, você não vai ganhar.
Todos sentiram vergonha pela ingenuidade de Ana, menos ela, que embaralhou todas as cartas e distribuiu uma nova rodada.
* * *
João jogava paciência. Costumava jogar ouvindo música, para não perder a noção do tempo gasto no jogo. Quando acabava o CD, sabia que aproximadamente uma hora tinha se passado. Às vezes, contudo, não percebia que o CD tinha acabado. Jogava sempre no modo mais difícil, o que implicava em certos rituais: antes de pedir mais cartas, fazia o computador checar se não tinha perdido nenhuma oportunidade, costumava desfazer jogadas para checar o conteúdo de cartas encobertas e tinha estabelecido que faria sempre no máximo três tentativas de ganhar o mesmo jogo. Era comum que ganhasse na terceira tentativa.
Não jogava pelo prazer de ganhar, nem para ocupar seu tempo. Tinha medo de demenciar. Havia um histórico de Alzheimer na família. Além disso, ele já se flagrara falando sozinho. Jogava paciência para exercitar o cérebro. Para exercitar a mente, lia romances e fazia palavras cruzadas. Tinha ouvido dizer que os sintomas da demência eram mais amenos em pessoas letradas que mantinham a cabeça funcionando sempre. Ora, enquanto jogava paciência, João cantava e pensava nos movimentos das cartas.
Nas duas tentativas anteriores, o computador tinha dado mensagem de que era impossível continuar o jogo, porque mais nenhum movimento podia ser feito. Essa terceira tentativa também estava travada e a música já tinha acabado fazia tempo. João não tinha conseguido formar nenhuma sequência completa ainda, para liberar espaço. Já tinha feito e desfeito vários movimentos e estava prestes a pedir cartas pela última vez. Porém, antes de pedir mais cartas, verificou se não havia nenhuma possibilidade ignorada pelos seus olhos cansados. O computador indicou um movimento que descobriria uma carta. Como ele não tinha visto isso? Fez o movimento e uma nova carta se abriu.
Era um coringa. Olhou desconfiado para o computador. Como assim, um coringa num jogo de paciência? Esse computador está trapaceando. E se eu aceitar esse coringa, estarei trapaceando contra mim mesmo. Tudo misturou-se na sua mente, João: os jogos, as pessoas, os narradores.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Paredes flusserianas
"Paredes são disposições para a distinção entre espaços públicos e privados. Essa diferença, obtida graças à parede, é primordial, pois a vida humana é um oscilar entre o público e o privado. O ser humano é um habitante de espaços interiores e um experimentador de espaços exteriores. Para permitir esse oscilar, as paredes têm de ser levantadas. Tem-se de introduzir algumas aberturas (portas), por meio das quais saímos e voltamos, e outras (as janelas), por meio das quais aquilo que é público é visto como privado e aquilo que é privado é inspecionado como público." (p. 109)
"(...) a parede de uma biblioteca distingue-se basicamente de todas as outras." (p. 109)
"Nenhuma parede - exceto a parede da biblioteca - pode provocar uma revolução." (p. 110)
FLUSSER, V. A escrita: Há futuro para a escrita? Tradução do alemão por Murilo Jardelino da Costa. São Paulo: Annablume, 2010.
"(...) a parede de uma biblioteca distingue-se basicamente de todas as outras." (p. 109)
"Nenhuma parede - exceto a parede da biblioteca - pode provocar uma revolução." (p. 110)
FLUSSER, V. A escrita: Há futuro para a escrita? Tradução do alemão por Murilo Jardelino da Costa. São Paulo: Annablume, 2010.
domingo, 22 de abril de 2012
Balneário Rio Preto
Os rios ainda estão cheios, apesar das chuvas terem diminuído consideravelmente.
Paga-se R$ 5,- para entrar e pode-se passar o dia no balneário.
O mais legal de lá é o caminho até lá.
Tem a ponte que passa por cima do que aqui chamam de cachoeira.
Tem a força da água.
Tem as dificuldades do caminho.
E tem as notícias do buraco na BR: ponte metálica do Exército desativada em cima e desvio embaixo.
Paga-se R$ 5,- para entrar e pode-se passar o dia no balneário.
O mais legal de lá é o caminho até lá.
Tem a ponte que passa por cima do que aqui chamam de cachoeira.
Tem a força da água.
Tem as dificuldades do caminho.
| Foto: Fran-Fran |
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